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    Afinal os tablets estimulam ou não o desenvolvimento nos mais pequenos?

    Quando falamos em parentalidade muitos são os temas que se revelam altamente polémicos pela diversidade de opiniões que originam. Mas quando o tema é o uso das tecnologias por crianças pequenas, nomeadamente o uso de tablets e telemóveis como entretenimento, a experiência clínica e os vários estudos realizados na área apontam apenas num só caminho. Verifique 4 efeitos nocivos no uso diário destas tecnologias por crianças.




    O tempo que as crianças ocupam em frente aos ecrãs, sejam eles tablets, telemóveis ou televisões, tem-se revelado uma preocupação crescente para os diversos profissionais de saúde que trabalham ou acompanham crianças. Os próprios pais têm vindo a questionar cada vez mais os efeitos destes recursos no dia-a-dia nos seus filhos. Com tanta informação contraditória a que se tem acesso atualmente, em quem podemos confiar?


    De acordo com a Academia Americana de Pediatria e a Organização Mundial de Saúde o acesso a estas tecnologias por crianças pequenas deve ser reduzido substancialmente ou mesmo eliminado dando lugar a atividades que combatam o sedentarismo. No entanto, os pais frequentemente sentem que estas diretrizes contrariam a evolução da sociedade atual e o ritmo crescente da utilização de tecnologia como um recurso, não só útil mas necessário. Na verdade, o seu uso diário pode ser prejudicial e é importante que os pais tenham informação precisa e fidedigna para que possam tomar decisões plenamente conscientes acerca do modo e frequência de utilização. Deste modo, é crucial que perceba que a recomendação não significa que foram provocados danos irreversíveis no seu filho caso ele tenha visto episódios da Patrulha Pata num domingo de manhã, ou um episódio da Porquinha Peppa numa ida a um restaurante. Significa sim, que o uso precoce destes dispositivos não promove, de todo, o desenvolvimento.


    4 motivos para regular o uso de ecrãs pelas crianças



    Um dos componentes que deverá fazer parte do dia-a-dia da criança em doses substanciais é o brincar. Inicialmente caracterizado por uma exploração sensório-motora e progressivamente dotado de atividade física, criatividade e representação, o brincar constitui a fonte por excelência de aprendizagem e aquisição de novas competências. Neste sentido, a exposição excessiva a ecrãs poderá limitar estas experiências tão cruciais, pelo que os dispositivos eletrónicos se tornam nocivos quando não deixam espaço significativo a esta vivência. Ver desenhos animados ou vídeos Youtube ou Netflix não é brincar por mais interessantes que possam considerar os conteúdos.



    À semelhança do primeiro ponto, quando se fala no desenvolvimento da linguagem o prejuízo não está nos ecrãs em si, ou pelo que poderão assistir, mas pelo simples facto de que enquanto estão em frente a um ecrã não estão em interações reais com pessoas. E não, assistir a um episódio com o seu filho não substitui a qualidade de momentos de envolvimento emocional que o brincar oferece, sendo importante também por seu lado desconstruir a ideia de que pode promover o leque de vocabulário. O desenvolvimento de competências de relação e comunicação, antecessoras das competências linguísticas e da fala, dá-se apenas de uma maneira: na experiência da relação direta e real com o outro. Isto é ainda mais pertinente quando falamos de crianças com menos de 3 anos. A partir dessa idade um uso sensato e moderado (de 20 minutos a 1 hora dia) não confere prejuízo significativo.



    A empatia é uma das competências mais importantes e que mais diferencia os humanos dos restantes animais. Trata-se de uma competência que é unicamente desenvolvida através do contacto e relação direta e real, em oposição à virtual, entre as pessoas. No ecrã a criança não tem oportunidade de experienciar as mais diversas componentes da comunicação não-verbal e da interação. A diminuição destas experiências gera maior propensão para a impulsividade e maiores dificuldades na socialização. Por seu lado, as crianças que são mais empáticas com os outros são geralmente mais felizes e com maior capacidade de regularem as suas emoções.



    Um dos problemas que pode advir de um uso excessivo dos ecrãs é a sua dependência. Quando o uso é frequente a criança habitua-se a uma gratificação imediata das suas necessidades podendo gerar dificuldades em tolerar a frustração ou tempos de espera. Para além das mudanças de humor, que podem interferir com as atividades familiares, a criança pode parecer ficar satisfeita apenas quando usa um dispositivo eletrónico.

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