O sono do bebé:  estratégias no primeiro ano de vida

O sono do bebé é talvez um dos temas mais falados e receados pelas dificuldades e exigências que acarreta quando não se realiza de forma harmoniosa. Por essa razão é também alvo de frequentes opiniões e diversas recomendações de familiares e amigos que apesar de o fazerem com a melhor intenção não se dão conta que na maioria das vezes provocam sentimentos de incapacidade e falha em alguém já fragilizado pela privação de sono. Nesse sentido, criei 3 compilações de linhas orientadoras de 3 fases diferentes do desenvolvimento do bebé e da criança pequena, sendo este focado no primeiro ano de vida. O que esperar, o que fazer e quando pedir ajuda.





Atualmente, identifica-se, cada vez mais, por parte dos pais uma preocupação e consequente procura de informação que os ajude a desempenhar as suas funções parentais. No entanto, e por mais contraditório que possa parecer, também se assiste por seu lado a um decréscimo acentuado da qualidade de sono dos bebés e das crianças, sendo comum não só vermos crianças com horas de sono diárias bem inferiores ao recomendado como também uma dificuldade em identificar os sinais do bebé que nos informam que precisam de dormir. Outro fator que contribui largamente para a pobre qualidade de sono dos bebés são os mitos. Mitos como “se dormir menos de dia dorme melhor de noite”, “é preciso cansá-lo antes de se deitar para que durma a noite toda” ou até mesmo qualquer crença associada à forma como a criança “deve aprender” a dormir, geram, com muita frequência, comportamentos pouco favoráveis por parte dos cuidadores. Considerando o bebé até aos 12 meses de idade, penso serem basilares os seguintes pontos para a promoção da qualidade do sono do bebé.





A importância dos 90 minutos

Quando falamos de sono e dos hábitos que promovem a sua qualidade devemos conhecer aprofundadamente como ocorrem os ciclos biológicos em cada idade para que possamos compreender as expectativas e necessidades de cada faixa-etária. Não tendo como propósito aprofundar neste artigo os conceitos científicos inerentes à aquisição ou funcionamento dos ciclos circadianos ou às fases do sono, creio, no entanto, ser útil canalizar a vossa atenção para o espaço temporal de 90 minutos. Isto porque após 90 minutos em alerta, os bebés estão mais propensos e disponíveis para adormecerem sendo que quando falamos em bebés com menos de 6/8 meses, os 90 minutos deverão ser tidos como referência do tempo máximo em que o bebé se deverá manter acordado de cada vez, ou seja como referência para saber quando o bebé necessita de fazer sesta.


Horas de Sestas diárias

Já vimos que independentemente do tempo que o bebé dormiu anteriormente, a verdade é que cerca de 90 minutos após ter acordado, o bebé estará não só necessitado de dormir novamente como se encontra na fase de maior probabilidade de adormecer com sucesso.

Mas infelizmente, o bebé não tem a capacidade de fechar os olhos e adormecer por si quando está com sono. Especialmente aqueles com idade inferior a 6 meses, são altamente dependentes da ajuda do cuidador para adormecer, pelo que caso se perca a oportunidade nesta janela de tempo o bebé iniciará outro ciclo e a mãe ou o pai poderão encontrar-se na situação frustrante de estar a tentar adormecer o bebé quando este (biologicamente falando) estará a esforçar-se para se manter acordado. É também de extrema importância reter que um menor número de sestas, nesta faixa-etária, não significa maior número de horas de sono à noite. Pelo contrário, um bebé que vai exausto para a cama, sobre-estimulado e com poucas horas de sono durante o dia, provavelmente será um bebé com maiores dificuldades em adormecer e com despertares noturnos mais frequentes. Deste modo, e aliado ao conceito dos tempos de vigília de 90 minutos, podemos ter como referência o número de 3 sestas diárias até aos 6 meses e 2 até aos 12 meses. Sem esquecer, claro, que os primeiros 2 meses de vida, especialmente o primeiro, é bastante particular no que concerne ao sono, pelo que o bebé pode passar a maior parte do tempo a dormir.


Horas de Sono diárias

Geralmente, as primeiras 3 a 4 semanas do bebé constituem um período em que o bebé dorme a maior parte do tempo. Após este período, é muito frequente, se não certo, que a duração das sestas diminuirá e os despertares noturnos acontecerão mesmo quando não se revela necessário alimentá-lo. O primeiro ano de idade do bebé revela-se um ano de muitas evoluções e aquisições com uma influência importante na manutenção do sono, podendo gerar dúvidas sobre a real necessidade de horas deste. Estudos demonstram que nos dois primeiros meses o bebé poderá dormir 16 a 18 horas das 24 diárias, sendo que a partir dessa idade é recomendado umas 14 a 15 horas diárias distribuídas pelo período noturno e 2 a 3 sestas consoante os meses de idade.





Sinais de sono

É extremamente frequente os pais e outros cuidadores não identificarem os sinais de sono do bebé ou mesmo interpretá-los erradamente como movimentos de procura de maior estímulo. À medida que o bebé vai crescendo e vai adquirindo maiores habilidades motoras os sinais de sono vão sendo mais diversificados e passíveis de serem identificados. Entre os mais comuns encontram-se o choro, a perda de interesse por um brinquedo ou dificuldade em dar resposta ao estímulo do adulto, o esfregar os olhos, seja com as mãos ou no ombro de quem dá colo por exemplo, o olhar “distante”, o esfregar/puxar as orelhas e não raras vezes uma maior agitação que facilmente pode ser confundida com falta de sono e necessidade de estímulo. O bocejar, apesar de poder estar presente em qualquer idade e se revelar o sinal mais evidente para os adultos, muitas vezes não ocorre em bebés mesmo com sono.


Condições ambientais

A temperatura do quarto onde o bebé dorme é um fator importante para a qualidade do sono. Geralmente, há uma tendência de exagerar a temperatura escolhida com receio que o bebé tenha frio durante a noite. Mas muitas vezes é esquecida a possibilidade do sobreaquecimento derivado à incapacidade de regular a própria temperatura. Assim, o quarto deve ter uma temperatura próxima aos 21º graus e o bebé vestido convenientemente. Outro ponto importante é a luz. Durante a noite há uma maior tendência para manter o local do sono escuro, mas durante o dia, com receio que o bebé não distinga a noite do dia, muitas são as vezes em que se espera que o bebé durma com alta luminosidade, o que pode contrariar e dificultar o adormecer.


Sono seguro

Ao falarmos do sono no primeiro ano de vida é essencial abordarmos as recomendações de segurança durante o dormir. Estas recomendações não devem ser negligenciadas pois contribuem para uma redução importante dos eventos de asfixia e morte súbita. Assim, é importante que coloque o bebé a dormir de barriga para cima, num berço com colchão adequado e sem bonecos ou roupa de cama solta. Também é aconselhável que o bebé durma sempre no seu berço, no quarto dos pais pelo menos até os 6 meses de vida.



Conhecer o bebé

Tão importante como adotar hábitos saudáveis é conhecer o seu bebé. Nenhuma das estratégias mencionadas ou desenvolvidas resultantes do progressivo conhecimento científico acerca do sono e desenvolvimento infantil serão suficientes se a sua implementação for realizada sem se considerar o bebé específico como ser individual. Mais do que rotinas e estratégias os bebés precisam de se sentirem ligados ao outro. Precisam de se sentirem conectados e cuidados não só do ponto de vista funcional como é a alimentação, higiene etc., mas também do ponto de vista emocional. Desde o primeiro segundo.


Sara Barbot

Psicóloga Clínica





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