Rua Instituto de Cegos de São Manuel 231, 4050-308 Porto

geral@saudeinfantilporto.com

227 666 508 | 967 384 469

  • Facebook
  • Instagram

©2018 by SIP - Saúde Infantil Porto. 

    A organização da casa e a influência na regulação da criança

    A organização dos espaços da casa, brinquedos e rotinas são fatores importantes na promoção do desenvolvimento da capacidade da criança em participar e executar as atividades da vida diária (como vestir, lavar os dentes, tomar banho, comer, etc), de regulação e rendimento escolar. Este mesmo sentido de organização do ambiente e rotina revela-se ainda mais crucial nas crianças com alterações ao nível do planeamento motor, da linguagem, de concentração e atenção ou aprendizagem.




    Esta organização deve estar presente em todas as áreas da casa e durante as atividades diárias, sendo exemplificada e modelada através dos pais, apoiada por sistemas de organização adequados às necessidades da família e criança e reforçada pela continuidade e rotina. Dependendo das idades, a organização e planeamento dos espaços pode ser feita em conjunto com a criança e deve ser sempre de acordo com as suas preferências e necessidades especificas.


    Idealmente, podemos identificar três áreas de interesse quando falamos da organização da casa. Uma para brincar e explorar, outra promotora da autonomia e independência e finalmente uma de relaxamento e sono. Sendo que cada compartimento da casa pode servir várias funções, sistemas de organização funcionais, em conjunto com rotinas, servem para que a criança possa responder adequadamente à transição de atividades ou tarefas durante o dia.





    O brincar é incontestavelmente uma parte crucial no desenvolvimento saudável da criança, e criar espaços e momentos adequados para brincar é extremamente importante. A criança deve ter fácil acesso aos brinquedos e uma zona ampla para os poder manipular com movimento e liberdade. Cada atividade ou brinquedo, deve estar guardado individualmente, respeitando uma lógica e de preferência completo. Se um brinquedo como um puzzle ou jogo de mesa está incompleto, deve ser substituído ou adaptado. É importante que os brinquedos disponíveis sejam adequados à idade e dentro dos interesses atuais da criança, sendo que quando existe um número elevado de opções, poderá originar maior distração e falta de interesse, o que leva a criança a não concluir nenhuma brincadeira até ao fim. Os restantes brinquedos podem ser guardados para outra altura ou alternados, numa seleção feita pelos pais, ou se possível em conjunto com a própria criança.


    De igual importância, é a implementação de uma rotina de organização. Criar o hábito de “guardar” ou repor o brinquedo no lugar original após terminar uma brincadeira, favorece o desenvolvimento do conceito de início e fim. Dependendo da idade, a criança pode não ter interesse em concluir a atividade que iniciou, mas o ato de arrumar em si cria essa conclusão e repõe o sentido de ordem.





    A organização está igualmente na base da exploração, sentido de segurança e desenvolvimento da autonomia. Devem existir espaços adaptados onde a criança pode ser integrada na atividades muitas vezes vistas como sendo para o adulto, fortalecendo relacionamentos e possibilitando a oportunidade de execução de tarefas desafiadoras de uma maneira autónoma. Por exemplo, a organização e fácil acesso à roupa e calçadopode promover a independência na hora de vestir, assim um banco e produtos de higiene organizados na zona da casa de banho podem promover os autocuidados. Para os mais velhos, tabelas de tarefas ou organização de calendários, planeados e elaborados em parceria com a criança, podem ser ferramentas importantes para promover o sentido de responsabilidade. Novamente, a aplicação destas tarefas de forma consistente, reforça a estabilidade e sentido de ordem.





    Finalmente, devem ser contempladas zonas de relaxamento que promovam a sensação de tranquilidade e segurança. Um espaço onde possa usufruir de uma atividade como a leitura ou música, selecionada e limitada ao interesse atual e preferencialmente resguardado de outros estímulos ou distrações, cria um retiro ou refúgio quando surgir a necessidade de uma pausa dos estímulos que a rodeiam. Igualmente, o quarto, ou mais especificamente, a zona de dormir, deve ser apelativo e de acordo com o perfil e necessidade individual da criança para que transmita segurança e comforto. Estes espaços devem estar sempre disponíveis e organizados de forma convidativa para ajudar na transição das rotinas diárias de uma forma equilibrada e serena.


    Sara Arieiro

    Licenciada em Psicologia

    579 visualizações