Como usar as rotinas para estimular a linguagem?

A criança adquire e desenvolve a linguagem a partir das interações que estabelece com o outro, assim como das vivências e experiências que tem nos diferentes contextos. Além da relação e do brincar, as rotinas do dia-a-dia são uma importante fonte para o desenvolvimento da linguagem na criança.





As rotinas e as atividades que acontecem ao longo do dia são dos primeiros momentos de aprendizagem para o bebé e para a criança porque:


· Proporcionam oportunidades importantes para o desenvolvimento de ciclos comunicativos entre a criança e o adulto num contexto previsível, familiar e seguro

· Permitem ao bebé começar a compreender o mundo que o rodeia

· Providenciam uma exposição frequente e repetida a objetos, sendo apresentado em simultâneo o seu nome e respetivo uso, o que contribui para a aquisição de conceitos e a produção de palavras

· Proporcionam oportunidades importantes para o desenvolvimento de competências ao nível sensorial e motor

· Permitem o desenvolvimento da autonomia e o sentido de responsabilidade da criança


Os momentos de rotinas como a alimentação, o banho, a lavagem dos dentes e a ida para a escola são oportunidades em que o adulto e a criança estão a partilhar a atenção num foco comum e a participar numa atividade em conjunto. Quando ambos estão disponíveis e envolvidos e a rotina está a ser prazerosa, o contexto é bastante favorável à brincadeira e ao diálogo, elementos essenciais ao desenvolvimento da linguagem.


Assim sendo, como podemos tirar partido das rotinas como forma de estimular e desenvolver a linguagem da criança?


O primeiro passo começa na antecipação da rotina, em que o adulto pode dizer o que vai acontecer, recorrendo a palavras, gestos simples e/ou a um objeto ilustrativo da rotina, como facilitadores à compreensão do que vai acontecer de seguida.


É importante assegurar, dentro do possível, a consistência das rotinas, assim como a ordem em que sucedem ao longo do dia. Esta previsibilidade ajuda a criança a compreender o meio e a saber o seu papel na rotina, contribuindo também para uma maior organização e regulação emocional. Ao estar mais calma e regulada, a criança estará também mais disponível para interagir com o outro, brincar e aprender.


No decorrer da rotina, o adulto deve interagir e conversar com a criança. Pode começar por mostrar e nomear os objetos, principalmente aqueles que são novos, possibilitando a expansão de vocabulário. Pode comentar e descrever o que está a acontecer, seja algo realizado pelo adulto ou pela criança, com palavras e frases, em função da idade de desenvolvimento. Talvez esta seja a estratégia mais importante, na medida em que são dadas oportunidades de aprendizagem ao vivo e a cores, de forma funcional e com significado, enquanto a criança observa, ouve, sente, experimenta e manipula os objetos.


À medida que a criança for sendo capaz de participar mais ativamente na rotina, o adulto poderá solicitar a sua ajuda, dando ordens com diferentes níveis de complexidade. Mais importante é criar a oportunidade para a criança fazer escolhas e pedidos, no sentido de estimular a sua iniciativa comunicativa e o uso de palavras ou gestos, encorajando-a também a assumir um papel mais ativo no decorrer da rotina. O uso de músicas durante as rotinas poderá ser uma estratégia útil, além de bastante divertida.


Lúcia Magalhães

Terapeuta da Fala

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