Vamos tirar a fralda! Quando começar e estratégias se não correr como esperado.   

Um dos marcos importantes no crescimento dos nossos filhos é a retirada da fralda, quer no período diurno quer no noturno, sendo que frequentemente ocorrem em períodos distintos e muitas vezes revelam-se processos mais complexos ou demorados do que expectávamos. Então o que fazer quando lá em casa o deixar a fralda não é assim tão simples?





O processo da retirada da fralda da criança normalmente inicia-se entre os 24 meses e os 30 meses, no período diurno e por vezes um pouco mais tarde no período noturno. Frequentemente, tentamos que o início da promoção do controle dos esfíncteres se dê coincidentemente com o início da primavera facilitando por exemplo as mudas de roupa, em caso de eventuais “acidentes” ou tempos mais prolongados no pote. Mas nem sempre estas estratégias se revelam suficientes pelo que poderá ser útil atender aos seguintes aspetos:


1. Trabalho em conjunto com os diversos contextos

Geralmente nestas idades a criança já frequenta o jardim-de-infância ou fica a cargo de outros cuidadores como os avós ou “babysitters”, que acompanham a criança num período considerável de tempo durante o dia. Deste modo, é extremamente importante que o processo da retirada da fralda, e consequente promoção do controle dos esfíncteres seja realizado conjuntamente com os diferentes cuidadores e contextos para garantir uma maior probabilidade de sucesso. Assim, pais e educadores deverão delinear uma estratégia comum a implementar nos diversos contextos onde a criança se move.


2. Grau de autonomia

Antes de pensar em retirar a fralda, é importante garantir que a criança adquiriu já algumas competências motoras como por exemplo manter-se de pé sem apoio, sentar-se sozinha e colaborar no vestir e despir. Estas competências vão facilitar as idas à casa-de-banho proporcionando à criança sensação de eficácia e autonomia.


3. Identificar o padrão fisiológico

A identificação do padrão fisiológico da criança é um passo crucial a ser tomado quando se decide iniciar a retirada da fralda, mas que frequentemente não é elaborado por nenhum dos intervenientes. Este registo, por norma realizado num espaço de 15 dias, poderá fornecer informação importante acerca da maturidade fisiológica da criança, e portanto salvaguardar que a criança já está preparada para iniciar este processo. É importante que sejam coincidentes de forma a evitar experiências emocionais negativas associadas às idas à casa-de-banho e futuras recusas. Identificando-se um padrão, mais ou menos estabelecido, este facilitará a constituição da rotina a adotar.


4. A escolha do pote e a sua função

A escolha do local que irá substituir a fralda é extremamente importante. É aconselhado que se inicie pelo pote, confortável e de fácil acesso e transporte para a criança, sendo que numa primeira instância pode usá-lo nos diferentes compartimentos da casa enquanto a criança tiver uma baixa capacidade de retenção, essencialmente da urina, mas deve sempre ser encorajada a sua localização já na casa-de-banho. Outro ponto importante é a utilização funcional do pote. Embora a criança possa e deva explorar o pote e até mesmo experimentá-lo com os seus bonecos favoritos, o pote não se deve transformar num brinquedo ou numa cadeira, sob pena da criança atribuir uma função diferente àquela a que se propõe.


5. Reação dos adultos

Os adultos desempenham um papel extremamente importante no acompanhamento deste processo com a criança. As suas reações emocionais constituem o guião para a criança de como se deve sentir face ao seu sucesso ou insucesso em cada tentativa, pelo que devem sempre refletir ausência de pressa, ausência de desilusão e ausência de culpabilidade. Lembre-se que uma reação excessivamente efusiva face a uma tentativa com sucesso pode por si só, por oposição, significar uma grande desilusão numa tentativa seguinte em que a criança não obteve o resultado esperado.


Sara Barbot

Psicóloga Clínica

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