Nascimento de um bebé prematuro. Que impacto tem na dinâmica familiar?

O nascimento de um filho constitui, inevitavelmente, um acontecimento de grande intensidade e felicidade no percurso de vida da maioria dos pais e mães.


Quando o nascimento, tão aguardado e rodeado de expectativas positivas, acontece de forma brusca, prematura e, na sua maioria, com uma necessidade de internamento, inicia—se, nos pais, um carrossel de inseguranças, inquietações e sensações de vulnerabilidade, incapacidade e impotência. Tudo isto se deve à impossibilidade de conseguirem controlar ou antever como poderá ser o desenvolvimento futuro do seu filho.





Este “murro no estomago", que muitas vezes acontece sem aviso, tem que ser rapidamente gerido. Em caso de internamento, quer o pai, quer a mãe necessitam de agir, de assegurar as necessidades da criança e de se organizarem de forma acelerada, havendo só um foco: a saúde do bebé.


Tanto para os pais, como para o bebé, o nascimento seguido de um internamento é um período quase contranatura, num ambiente artificial e pouco harmonioso, que não permite um estabelecimento de uma vinculação serena, livre de preocupações. Ainda assim, o internamento de um bebé apresenta segurança e controlo. À mínima preocupação, existem profissionais de saúde disponíveis para ajudarem o bebé e orientarem os pais.


Havendo um período de evolução e alta do bebé, é tempo de, finalmente, os pais voltarem para casa. Contudo, o que na grande maioria dos casais seria um grande momento de festejo, para os pais também considerados “prematuros”, é sinónimo de grande preocupação e ansiedade. Estes sentimentos são motivados pela ausência de acesso a máquinas com sinais sobre se o recém-nascido está ou não bem, como acontece rapidamente no internamento.


No período pós alta, dá-se, então, início a um processo de transição na dinâmica familiar, um misto de alegria e preocupação, de encantamento e ansiedade. Com efeito, como acontece em qualquer período de transição, tem que haver um período de ajuste. Ajuste ao bebé, ao novo papel de mãe e de pai, à relação entre os pais e a cada um em particular.


Naturalmente, toda esta transição é influenciada por um conjunto de fatores. Existem famílias que se adaptam melhor, outras menos bem e as restantes que, de facto, precisam de ajuda. Em casos em que a prematuridade resulta em alterações de desenvolvimento, os pais precisam de passar pelo luto resultante da diferença entre o "bebé idealizado" e o "bebé real" e de perceberem se é necessário, igualmente, o bebé ter ajuda de profissionais.


Em jeito de conclusão, ter um bebé que nasce antes do tempo acelera vários papéis e, para assegurar um desenvolvimento harmonioso na dinâmica familiar, por vezes, é preciso desacelerar e dar tempo. Tempo para se ajustar expetativas, tempo para respirar e sentir o bebé, tempo para construir uma família que, apesar de se ter concretizado de forma prematura, também pode ser feliz.


Lígia Truta

Psicóloga Clínica

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